Homilia do Arcebispo Damaskinos no Domingo 11º do Evangelho

 de São Mateus (18,23-35),em 23-08-2020

Domingo , 23 de Agosto de 2020 ( Dom Damaskinos Mansour )   )

Homilia do Dom Damaskinos Mansour Domingo 11º do Evangelho de São Mateus (18,23-35)

Homilia do Dom Damaskinos Mansour Domingo 11º do Evangelho de São Mateus - Dom Damaskinos Mansour
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Domingo , 23 de Agosto de 2020 ( Dom Damaskinos Mansour )   )

Homilia do Dom Damaskinos Mansour Domingo 11º do Evangelho de São Mateus (18,23-35)

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Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém!

 

“O perdão humano para os semelhantes é a base e condição para o perdão Divimo.”

 

          Queridos em Cristo.

          Lemos hoje no Santo Evangelho segundo o evangelista São Mateus o trecho que fala sobre nosso relacionamento com Deus e com o próximo.

          O Senhor Jesus Cristo durante a sua vida na terra estava ensinando por parábolas para que, assim, seus discípulos e todos que o ouviam entendessem [mais facilmente] seus ensinamentos e como aplicá-los em suas vidas para a salvação. Por isso Jesus já havia dito: “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” (Mateus 11,29).

          O Senhor Jesus Cristo transmitiu este ensinamento várias vezes a seus discípulos, e é isto que ouvimos no Evangelho lido hoje, que nos chama a imitar Jesus, que Ele seja nosso exemplo, vivendo segundo os preceitos por Ele ensinados, para que assim sejamos bons filhos do Pai Celeste que merecem receber o nome de cristãos.

          O texto evangélico desta Divina Liturgia nos fala diretamente sobre amor, misericórdia e justiça de Deus para com os seres humanos, pois Deus deseja que cada um viva uma vida de amor, misericórdia e perdão em relação aos seus semelhantes na terra, assim como deseja para si misericórdia e perdão dos pecados.

          Nesta parábola que lemos hoje vimos que o senhor [daqueles homens] perdoou o primeiro servo que tinha com ele uma grande dívida a pagar, e que, não tendo condições de fazê-lo imediatamente, pediu a misericórdia de seu senhor, o qual perdoou-lhe toda a dívida e o deixou ir livre porque Deus é misericordioso.

          Os servos da parábola são todos os homens, e o senhor desses servos é Deus.

          A parábola diz que, depois que o primeiro servo obteve o perdão de Deus, encontrou um companheiro que tinha uma dívida pequena com ele. E este seu companheiro pediu-lhe paciência para que ele pagasse o pouco que lhe devia.

          No entanto, aquele servo que havia sido perdoado por seu senhor, parece que se esqueceu muito facilmente do perdão recebido de uma grande dívida, e, assim, com dureza de coração, agarrou seu companheiro e o sufocava, exigindo o pagamento, e, por fim, o mandou para a prisão, até que quitasse toda a dívida.

          Continua a parábola, dizendo que quando o senhor daqueles homens soube do que havia acontecido, chamou o primeiro deles e lhe disse: “Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?”

E o entregou aos carrascos até que lhe pagasse o que devia, ou seja, o Senhor cancelou o perdão da dívida daquele homem por causa de sua atitude com seu irmão.

          Queridos.

A justiça de Deus é exatamente o seu amor, por isso nós rezamos com as palavras do santo profeta e rei Davi, nas palavras do Salmo, dizendo: “Ouve, Senhor, a minha oração, dá ouvidos à minha súplica; responde-me por tua fidelidade e por tua justiça. Mas não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém é justo diante de ti” (Salmo 143,1-2).

          O que o Senhor Jesus nos ensina nesta parábola, na pessoa do primeiro servo, é que Deus não condenou o servo, que antes havia perdoado, por causa de sua dívida, quando ele pediu e obteve misericórdia, mas o condenou por não ter perdoado a dívida menor do seu conservo, pois também este último lhe pediu misericórdia, mas ele perdoado por Deus não agiu como seu senhor havia feito com ele, antes condenou o companheiro à prisão.

          Na visão de Deus, o grande pecado, é não amar, não perdoar o próximo e agir mal para com ele e maltratá-lo.

          Neste sentido, pecado é aquilo que fazemos de errado em relação aos nossos semelhantes mais do que em relação ao próprio Deus.

          O que agrada a Deus, o que Ele requer de nós, é que tratemos o próximo como Ele (Deus) nos trata.

          O Senhor Jesus nos disse no Evangelho: “Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso" (Lucas 6,36).

          E o que Jesus nos ensinou a dizer na Oração Dominical, o Pai Nosso, que sempre repetimos? O nosso pedido “perdoai as nossas dívidas”, seguido da afirmação “assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

          Esta oração modelo que homens, mulheres e crianças, enfim, todos os fiéis fazem tantas vezes não pode ser uma mera repetição de palavras, algo apenas “da boca para fora”, que sai de nossos lábios automaticamente, mas, antes, tais palavras e toda esta oração devem sair do íntimo de nossos corações e serem colocadas em prática em nossas vidas, no nosso dia a dia.

          Somos, então, chamados por Deus à prática do perdão para com nossos semelhantes, para podermos também sermos perdoados e recebermos d’Ele a misericórdia.

          O próprio Jesus deu o exemplo com suas palavras e atos, como fez na cruz, em meio ao sofrimento, quando pediu a Deus: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lucas 23,34).

          E igualmente o primeiro mártir cristão, o Diácono Santo Estêvão, pediu o perdão de Deus para aqueles que o estavam apedrejando, como havia aprendido com seu Mestre Jesus, repetindo a mesma frase, como lemos no Livro dos Atos dos Apóstolos (7,60).

          Assim, o perdão humano aos seus semelehantes é a base e condição para o perdão divino.

          Queridos em Cristo.

          O cristão deve odiar o pecado, mas amar o pecador e procurar levá-lo para o caminho da retidão, para que se salve como lemos na Primeira Epístola do apóstolo São Pedro que nos disse: “Amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (I Pedro 4,8).

          Desta forma, quem ama perdoa, pois o Senhor Jesus explica a prática do perdão não com base em leis e direitos, mas com base na misericórdia e no amor.

          Por isso o cristão deve condenar o pecado, mas entender que o pecador merece o amor e nossa oração por Ele..

          Os Santos Padres, nossos Pais na fé, ensinaram que se deve rezar pela conversão de todos os pecadores, para que se arrependam e trilhem o caminho da salvação.

          Foi o que Jesus ensinou quando disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores para arrependimento”. (Marcos 2,17).

          E nós sabemos da vida e dos escritos de alguns dos Santos Padres que eles chegavam a rezar até pelo arrependimento para a salvação do próprio Diabo.

          E o apóstolo São Paulo também ensinou aos cristãos: “Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais deverão corrigi-lo com mansidão” (Gálatas 6,1).

          A finalidade de todo este modo de vida cristão é a edificação do Corpo místico de Cristo, do qual todos nós somos membros, e não a vingança dos outros.

          Como cristãos, nós rejeitamos o pecado, mas amamos todo ser humano, por pecador que seja.

          Finalmente,

          O perdão é união em amor, o perdão é a luz que recebemos e que nos vem do sol divino, para a transmitirmos aos que estão junto a nós.

          Sem o perdão os seres humanos não podem viver em comunhão, mas separados e divididos.

          Vamos aprender e repetir hoje com o apóstolo São Paulo, que ensinou na epístola aos Coríntios:

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

          Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta o amor jamais acaba” (I Coríntios 13,4-8).

          Isto tudo é o que aprendemos na Liturgia de hoje, com a leitura do Santo Evangelho, e é o que Deus quer de nós para nosso bem e do nosso semelhante, para que todos possamos viver em harmonia e paz, como verdadeiros filhos do Pai Celeste.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.

 

Deus os abençoe.

São Paulo, 23/08/2020

 

† Dom Damaskinos Mansour

Arcebispo Metropolitano

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